quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Das coisas que nunca achei que fosse presenciar II (ou) o Woody Allen tá certo...

Agora por outro lado temos um cara, maior de idade, que se acha no direito de apontar uma arma para a cabeça de uma menina, menor de idade, (15 anos) ex-namorada dele por 3 anos (não se configura pedofilia?), porque esta lhe deu fora (revolução feminina deu certo onde Hobsbawm?). Programas de TV, de qualidade totalmente duvidosa, conseguem o telefone do individúo e falam com ele ao vivo na tv (isso nao é crime? entrevistar um criminoso no momento do crime? não da pra cancelar a concessão desses canais por isso?) enquanto ele a mantém em cativeiro. A policia, desastradamente, tenta invadir o cativeiro, que agora tem duas reféns, porque uma das que foi libertada voltou (como assim?) e o cara consegue atirar nas duas antes de ser pego. O rapaz, que foi levemente espancado, (isso era de se esperar) diz que vai escrever um livro. A mocinha morre e doam-se seus orgãos, e a outra mocinha, a que voltou ao cativeiro, tomou um tiro na boca, pede 2 milhões em indenização ao Estado, e (pasmem) pede para ver o Alexandre Pato(?!!!!) É nem ele entendeu... Ah, o pai da mocinha que morreu na verdade é um criminoso fugitivo de seu estado natal desde 1991, é ex-policial, matou um politico e fugiu, mudou de nome, assim que apareceu na tv foi reconhecido e encontra-se foragido novamente. O Woody Allen tá certo, a vida imita um programa de televisão ruim, esse roteiro nunca seria aprovado pra um filme...

Das coisas que nunca achei que fosse presenciar (ou) esse mundo tá perdido, para ele que eu quero descer...

Quando alguem ia imaginar que o Gabeira teria chances reais de ganhar um eleição para cargo no executivo? (Nada contra a figura dele diga-se de passagem). Além do mais, começando lá de baixo na campanha, pelo PV e com um vice do PSDB? Em contrapartida seu adversário, um ex-jovem expoente da direita [tá no PMDB mas é direitaça ainda aliás] agora apoiado pelo PT e mais precisamente pelo Lula, mesmo tendo dito há dois anos que ele era um ladrão e que sabia de todo esquema do mensalão? Por outro lado, São Paulo aprensenta suas doses de esquisitisse. também De um lado um cara aparentemente gay , ultra-reacionário (como assim???), contra uma sexóloga prafrentex, ícone da parada gay questionando a opção sexual do seu oponente? Esse mundo tá perdido, para ele que eu quero descer...

sábado, 4 de outubro de 2008

Sobre a representação II



Há aproximadamente um ano e meio que estou esperando para ver Blindness. Nem tinham começado as filmagens e já estava ansioso. Acompanhar o diário de bordo da construção do filme através do Blog do diretor só fez aumentar minha espectativa. E eis que enfim cá estou após finalmente ve-lô, com algumas semanas de atraso diga-se de passagem. Resultado: Meirelles não decepciona. Nãoa mim pelo menos que aprecio seu trabalho desde "Domésticas". Diferentemente do que muitos criticos, alguns costumeiramente sóbrios, tem dito por aí, considero o filme muito bom. E há vários méritos em sua execução que merecem ser ressaltados. Em primeiro lugar, consegue adaptar a obra do famoso escritor potuguês à altura, aliás Meirelles parece estar se especializando em adaptações uma vez que as executa cada vez melhor. Assim como no livro, mais interessante do que o que se conta é a forma como se conta. Apesar do cinema ser uma arte imagética há ainda muito espaço para imaginação, mais do que Saramago poderia supor, por exemplo. Meirelles leva esse desafio ao limite. A busca incessante por um angulo diferente desde cena complexas como o polêmico estupro à cenas simples como a sequência inicial em que a esposa do médico prepara o café, causam estranhamenho no espectador. Estranhamento esse essencial para o desenrolar do filme. O espectador é a todo momento tiradod e seu ponto de conforto, quando pensamos estar acostumados com algo ele nos supreeende, ao ponto que no final estamos tão cegos quanto as personagens. Os jogos que estabelece com as imagens convidam nos a entrar no mundo desconhecido da cegueira branca, e mais ainda, leva a reflecção sobre a condição humana. Filmado em grande parte em São Paulo, embora o filme não necessariamente se passe em São Paulo é interessante pensar como ela difere, por exemplo, da São Paulo de "Linha de Passe". Se neste a cidade tem papel fundamental naquelea somos jogados para dentro de nós mesmos como numa boa música de Raiohead. Não existem mocinhos ou bandidos, apenas seres humanos em seu limite que percebem, há um custo muito alto, que o essencial da vida, para parafrasear o Karnak, e da experiência humana nos passa desapercebido cotidianamente. Embora Blindness seja um filme que trata metaforicamente e utiliza como pano de fundo uma situação ficticío fala, pois, sobre a "realidade", seja lá o que ela signifique para o leitor. Afinal, qualquer tentativa de representação flerta com esta, seja como interpretação, critica ou negação.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008